sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Testes com cocaína

Determinação do teor de cocaína em amostras apreendidas de entorpecentes utilizando técnica de HPLC com detecção UV-Vis


 Assim como a maconha, a cocaína constitui em uma das formas de substâncias entorpecentes de maior incidência nas apreensões realizadas pelas forças policiais no Estado de São Paulo. A cocaína (Fig. 1) constitui o mais importante alcalóide natural extraído das folhas do arbusto Erythroxylon coca. A administração deste entorpecente dá-se por via nasal ou endovenosa. O subproduto do refino da cocaína, o qual constitui uma forma pastosa, de aspecto marrom-amarelado, popularmente conhecido como “crack”, o qual é pouco solúvel em água, mas que se
volatiliza facilmente quando aquecido (95 oC), é comumente fumado em cachimbos.

Estrutura molecular da cocaína


Neste contexto, o desenvolvimento de metodologias de análise dos princípios ativos de substâncias entorpecentes constitui em importante linha de pesquisa no campo da química forense. Assim, este trabalho possui como objetivo, analisar o teor de cocaína em amostras de entorpecentes, na forma de cocaína e de crack, apreendidas pela polícia do estado de SP. As condições isocráticas otimizadas foram obtidas como sendo: fase móvel – acetonitrila/água (95:5), comprimento de onda em 224nm e coluna C18 com “guard column” C18, marca Labtron. As soluções padrão de cocaína também foram preparadas em acetonitrila, mediante diluição de padrão certificado.

O tempo médio de retenção para a cocaína foi de 3,5 min. Os valores de recuperação obtidos após adição de alíquotas de padrões situaram-se entre 97,9% e 101,2% .A relação entre o sinal espectrofotométrico e a concentração da espécie estudada apresentou linearidade em todo o intervalo estudado (1 – 40ppm), sendo obtido um coeficiente de correlação linear de 0,999, bem como um valor de sensibilidade cromatográfica de 8,9x105 ppm-1. A análise de amostras apreendidas indicou a presença de cocaína teores compreendidos entre 13,6 a 77,6 %, conforme apresentado na Tabela 1.



Com base na análise dos resultados obtidos, pôde-se concluir que a metodologia utilizada apresentou-se rápida e eficaz para a detecção e dosagem de cocaína em amostras de cocaína e de crack apreendidas pela polícia. Adicionalmente, pôde-se constatar a presença de impurezas presentes nas referidas amostras, sendo de 22 a 35% para amostras de cocaína e de 82 a 86% para amostras de crack.


Saiba Mais:       

OLIVEIRA, Marcelo Firmino de et al. Análise do teor de cocaína em amostras apreendidas pela polícia utilizando-se a técnica de cromatografia liquida de alta eficiência com detector UV-Vis. Eclet. Quím. [online]. 2009, vol.34, n.3, pp. 77-83.


quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Toxicologia Forense


A toxicologia forense insere-se no âmbito da toxicologia analítica tendo, por conseguinte, como principal objetivo a detecção e quantificação de substâncias tóxicas. Contudo, a atividade do toxicologista forense aplica-se a situações com questões judiciais subjacentes para as quais importa reconhecer, identificar e quantificar o risco relativo da exposição humana a agentes tóxicos. Como tal aproveita conhecimentos alcançados em praticamente todas as áreas da toxicologia moderna.
Até ao século XX, a toxicologia forense limitava-se a estabelecer a origem tóxica de um determinado crime; o “toxicologista” atuava diretamente no cadáver com a mera intenção da pesquisa e identificação do tóxico. Atualmente o campo de ação desta ciência é mais vasto, estendendo-se desde as perícias no vivo e no cadáver até circunstâncias de saúde pública, tais como aspectos da investigação relacionados a eventual falsificação ou adulteração de medicamentos e de acidentes químicos de massa. No caso das pessoas vivas estes exames têm, sobretudo a ver com perícias toxicológicas para rastreio e confirmação de drogas de abuso no âmbito dos exames periciais ou médicos para caracterização do estado de toxicodependência e com o regime legal da fiscalização do uso de substâncias psicoativas nos utilizadores da via pública. Neste último caso a participação, a Polícia Técnico-Científica compreende, além dos procedimentos para garantia de cadeia de custódia de produtos e amostras, os exames de quantificação de álcool etílico no sangue, e o rastreio e confirmação da presença das diversas substâncias na urina e no sangue, respectivamente. Os exames no vivo têm como objetivo a avaliação da intoxicação como circunstância qualificadora de delito, como causa de periculosidade ou de inimputabilidade. Em caso de morte por intoxicação que se enquadra no âmbito da morte violenta, existe obrigatoriedade de, nesta suspeita, se proceder à autópsia médico-legal, e conseqüentemente, em geral, à requisição de perícia toxicológica (Código de Processo Penal - Decreto-Lei Nº 3.689, se 3 de outubro de 1941; Código Penal - Decreto-Lei nº 2.848, de 07 de dezembro de 1940). As intoxicações podem ser criminais, legais (pena de morte), acidentais (alimentares, mordedura de animais, absorção acidental, medicamentosas) ou voluntárias (lesões auto infligidas, toxicodependência, terapêutica).
            Fatores importantes para que o resultado obtido das análises seja confiável: cadeia de custódia, que envolve a documentação desde a coleta da amostra até a obtenção dos resultados finais das análises; manuseio correto das amostras; correta identificação de cada amostra recebida e integridade da mesma.
            As matrizes biológicas utilizadas na caracterização da exposição humana, em testes in vivo, são: urina, plasma, sangue, saliva e cabelo, podendo ser utilizadas matrizes alternativas como suor, unha mecônio, tecidos e cabelos de recém-nascidos, como exemplifica a verificação de suspeição de exposição intra-uterina.
As matrizes biológicas normalmente utilizadas na caracterização da exposição humana, em análises post mortem, são: sangue total (aorta, cavidade cardíaca e femoral), humor vítreo e vísceras, como fígado e rins, e cérebro.
Conforme a especificidade do caso e o tipo de análise pretendida, são realizadas a seleção e colheita das amostras mais adequadas. Desta forma, existem análises que requerem apenas um tipo de amostra, enquanto outras ficarão incompletas se não forem enviadas diversos tipos de amostras. Por exemplo, as determinações de alcoolemia (etanol no sangue) ou de carboxihemoglobina (monóxido de carbono presente na hemoglobina sanguínea) exigem apenas um único substrato (sangue). As amostras destinadas a exame toxicológico não devem ser adicionadas de qualquer preservante ou conservante, porque a detecção de qualquer substância, seja ela adicionada ou não, poderá ser relevante do ponto de vista toxicológico. Tal como em qualquer regra existe exceção no que se refere à amostra de sangue destinada a doseamentos de álcool, cocaína ou ácido cianídrico, à qual se adiciona fluoreto de sódio na concentração aproximada de 1% (peso por volume). Com esta atitude pretende-se impedir a proliferação microbiana, e assim prevenir a probabilidade de se induzirem alterações nas taxas sanguíneas dos referidos tóxicos.
As metodologias de investigação passam por uma série de fases: rastreio, confirmação, quantificação e interpretação. Iniciam-se por um teste geral (que detecta um grande número de substâncias, permitindo fazer uma triagem de casos negativos) e, só numa fase posterior se recorre aos métodos de confirmação (que permitem confirmar a presença de substância suspeita, bem como identificá-la e/ou quantificá-la).

As técnicas de análise toxicológica variam desde os clássicos métodos não instrumentais, tais como reações volumétricas ou colorimétricas, até outros mais sofisticados para os quais se recorre a tecnologia apropriada, simples ou acoplada, como as técnicas espectrofotométricas (ex: espectofotometria de absorção molecular - UV-Vis, de infra-vermelhos - IR ou de absorção atômica - AAS), cromatográficas (ex: cromatografia gasosa – GC e cromatografia líquida - HPLC), imunoquímicas (ex: Elisa, imunoensaios com fluorescência polarizada – FPIA ou radioimunoensaio - RIA), e de espectrometria de massas - MS.
O resultado destas perícias apresenta-se na forma de relatório onde devem constar, para além de uma eventual interpretação dos resultados, os seguintes dados: identificação do processo e da entidade requisitante, método analítico utilizado e referências à técnica de isolamento utilizada, datas de recepção de amostras e de conclusão dos exames, amostras analisadas, especialista responsável pela execução das análises, níveis de detecção e de quantificação, estado das amostras analisadas, e outros que possam ser considerados relevantes para elaboração de conclusões.
Geralmente, o Laudo de Perícia Toxicológica é enviado ao Perito-Legista que requisitou a perícia, sendo posteriormente remetido à entidade requisitante isoladamente ou em conjunto com o Laudo de Autópsia ou de Clínica Médico-Legal.
O registro de mortalidade decorrente de efeitos indesejáveis agudos e subagudos possui relação bastante específica com a exposição de substâncias químicas e consiste uma importante estratégia empregada em estudos de utilização e monitorização destas, sobretudo no que se refere a fármaco ou toxicovigilância.
É importante sublinhar que nesta perspectiva, a informação decorrente dos Laudos Toxicológicos Forenses constitui um parâmetro de fundamental importância para o estudo de utilização das substâncias químicas, sobretudo ao que se refere aos eventuais efeitos deletérios decorrentes do uso para os diversos fins.
Para saber mais: 
- RANGEL, R. Noções Gerais sobre outras Ciências Forenses. Faculdade de Medicina da Universidade do Porto. Medicina Legal - 2003/2004. Disponível em: <http://medicina.med.up.pt/legal/NocoesGeraisCF.pdf>. Acesso em: 01 de novembro de 2011.
 - LEVANTAMENTO DE LABORATÓRIOS ANALÍTICOS DE TOXICOLOGIA FORENSE. Pesquisa elaborada pela Gerência Geral de Laboratórios de Saúde Pública – GGLAS. Disponível em: <www.anvisa.gov.br/reblas/pesquisa_toxicologia_forense.pdf>. Acesso em: 01 de novembro de 2011.
   - ALVES, R.S. Toxicologia forense e saúde pública: desenvolvimento e       avaliação de um sistema de informações como ferramenta para a vigilância de agravos decorrentes da utilização de substâncias químicas. Fundação Oswaldo Cruz Escola Nacional de Saúde Pública Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana, 2005. Disponível em: <www.fiocruz.br/sinitox_novo/media/artigo7.pdf>. Acesso em: 01 de novembro de 2011.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Contaminação por metal pesado - Mercúrio


Na região do Guarajá-mirim (RO) localiza-se a bacia do rio Mamoré, que faz divisa com a Bolívia e divide as cidades gêmeas de Guayaramerin (boliviana) e a de Guarajá-mirim (brasileira). Desde a década de 70 a região se destacou na área da mineração devido à execução de projetos básicos desenvolvidos por certas empresas.
A potencialidade aurífera da região é reconhecida, sendo o ouro aí encontrado do tipo ouro de aluvião, aquele que se encontra no sedimento dos rios e necessita ser retirado por técnicas manuais (como a bateia) e por uma posterior amalgamação com mercúrio metálico. Nessa técnica o mercúrio se une ao ouro formando um amálgama que é muito denso e fica depositado no fundo da bateia, enquanto outros sedimentos são levados pelo rio.
Essa técnica vem, ao longo dos anos, causando danos ao meio ambiente e às populações que vivem na região. Isso acontece porque o mercúrio utilizado na amalgamação do ouro é transferido para atmosfera na forma de vapor e para as águas dos rios, na forma de mercúrio metálico (Hg0), dimetilmercúrio (CH3) 2Hg ou de metilmercúrio (CH3Hg+), que é a forma mais tóxica.
O mercúrio metálico e o dimetilmercúrio também podem ser transformados em metilmercúrio pela ação das bactérias que vivem nos sedimentos dos rios. Essas substâncias entram na cadeia alimentar da população da região através da ingestão do mercúrio pelos peixes e posteriormente da ingestão dos peixes pela população, além da utilização da água do rio para uso doméstico. A água também é utilizada na agricultura local, expondo o solo e conseqüentemente os alimentos agrícolas à contaminação pelo mercúrio.



A referida região possui inúmeras áreas indígenas que são afetadas pela poluição com mercúrio, pois a ingestão é muito freqüente e este acumula no organismo provocando sintomas como fraqueza, insônia, perda da visão ou cegueira, perda da audição, ataxia, disartia, parestesia, danos ao sistema nervoso, câncer e até mesmo a morte.
 A maioria destes sintomas é causada pelo metilmercúrio e obviamente os sintomas dependem do grau de intoxicação e do tempo de exposição.
Ainda não é conhecido nenhum medicamento que retire o mercúrio do organismo. No entanto, pesquisas revelaram que o próprio organismo se encarrega de eliminá-lo através de fios de cabelo (onde usualmente são feitos os testes para verificação do grau de contaminação), da urina, das fezes e do suor.
Porém, cada parte do organismo tem um determinado intervalo de tempo para essa eliminação.
Por exemplo, o mercúrio contido no sangue demora apenas alguns dias para ser eliminado, enquanto o mercúrio contido no cérebro demora em torno de 10 anos. Além disso, essa descontaminação só terá efeito a partir do momento em que o indivíduo estiver livre dos fatores contaminantes.

Técnicas de descontaminação da água

Nenhuma técnica está sendo usada atualmente para retirar o mercúrio dos rios, porém estudos estão sendo feitos, como por exemplo, a utilização de uma “mesa vibratória” que tem como princípio a transferência de energia. Essa “mesa” é inclinada sobre a água e sua vibração faz com que a amálgama se desprenda do fundo e suba. Outra técnica que está sendo desenvolvida por pesquisadores do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e da Universidade Federal do Amazonas é a utilização da bactéria Chromobacterium violaceum. Há evidências de que ela pode ser empregada em processos de limpeza de áreas poluídas com metais pesados ou ajudar a unir partículas de ouro em áreas de mineração. Também pesquisadores do CETEC (Fundação Centro Tecnológico de Minas Gerais) e da Universidade Católica de Brasília estão desenvolvendo uma técnica que utiliza uma dupla de microorganismos formada por uma bactéria e uma levedura, que vivem em simbiose. Esses microorganismos conseguem converter os metais poluentes, dissolvidos na água, para sua forma insolúvel, que pode filtrada.
Desse modo é possível perceber que a descontaminação do mercúrio é muito difícil de ser realizada e, portanto, é necessário um trabalho de conscientização e de instrução voltado para os garimpeiros, já que eles próprios devem desconhecer o mal a que estão expostos.
Para o desenvolvimento de pesquisas e liberação de verba para tal é importante que os órgãos desempenhem o seu papel. Desse modo, as pesquisas seriam aceleradas e os resultados seriam obtidos com maior brevidade, já que a poluição é um problema sério que desequilibra a população regional, a família dos garimpeiros, o meio ambiente, a economia e precisa ser solucionado para que o equilíbrio que foi abalado possa ser restabelecido.
A poluição ambiental deixa as águas impróprias para o consumo (direto ou indireto) e também inviabiliza a utilização do solo e, assim, muitos animais morrem contaminados.
O bem estar da região amazônica é interessante para população mundial, pois ela é palco de inúmeras pesquisas científicas, além da importância ecológica como responsável pela maior biodiversidade tropical do planeta, desse modo a poluição e o desmatamento causam um enorme desequilíbrio nesse ecossistema. 




Saiba Mais:





BARCE, M. S. Poluição em Rondônia. Revista Eletrônica de Ciências. n. 32, abr. 2006.


quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Contaminação por metal pesado

      Estima-se que o chumbo seja utilizado em mais de 200 processos industriais diferentes com destaque para a produção de acumuladores elétricos. Este segmento abriga além de grandes empresas com melhor controle das condições ambientais de trabalho, pequenas empresas, muitas das quais instaladas em regiões residenciais, e funcionando à margem da legislação trabalhista, ambiental e de saúde.  No nosso meio, os homens constituem a maior parte dos atingidos pela intoxicação pelo chumbo dada a natureza das atividades que utilizam o metal (empregam predominantemente o sexo masculino).  No Brasil, além dos casos relacionados à produção e reforma de baterias automotivas tem sido relatados casos entre trabalhadores da indústria de plástico (PVC) (SILVEIRA; MARINE, 1991; MATOS, et al., 2003; DEMARCHI, et al., 1999; MENEZES; D’SOUZA; VENKATESH, 2003; RIGOTTO, 1989), entre trabalhadores que usam rebolos contendo chumbo para lapidação de pedras preciosas, instrução e aprendizado de tiro (SILVEIRA; MARINE, 1991), reparação de radiadores de carro, reciclagem de baterias automotivas, redução de minérios ricos em ouro para obtenção deste, entre outros. O quadro 1 apresenta as principais atividades ocupacionais que expõem os trabalhadores ao risco de intoxicação. 
      Uma vez que o chumbo entre em contato com o organismo, o mesmo não sofre metabolização, sendo complexado por macromoléculas, diretamente absorvido, distribuído e excretado. As vias de contaminação podem ser a inalação de fumos e poeiras (mais importante do ponto de vista ocupacional) e a ingestão. Uma vez absorvido, o chumbo é distribuído para o sangue onde tem meia-vida de 37 dias, nos tecidos moles, sua meia-vida é de 40 dias e nos ossos, sua meia-vida é de 27 anos, constituindo estes o maior depósito corporal do metal armazenando 90 a 95% do chumbo presente no corpo (MOREIRA, F.; MOREIRA, J., 2004).

Diagnóstico ocupacional da exposição ao metal

      O diagnóstico de certeza da intoxicação por chumbo é realizado com base em um conjunto de informações que considerem: evidências de exposição ocupacional ao metal, evidências laboratoriais de exposição e efeitos biológicos associados à exposição ao chumbo, sinais e sintomas compatíveis com o saturnismo.
      O chumbo metálico compromete vários sistemas fisiológicos. Clinicamente os mais sensíveis são o sistema nervoso central, o hematopoiético, o renal, o gastrointestinal, o cardiovascular, o musculoesquelético e o reprodutor. Existe uma grande variação na susceptibilidade individual, mas os sintomas clínicos em adultos podem se manifestar a partir de concentrações sangüíneas de chumbo de 25µg/dl.

Diagnóstico laboratorial
Para diagnóstico da intoxicação por chumbo podem ser realizados os seguintes exames:
1)Indicadores de Exposição: Estimam de forma indireta o grau de exposição ao chumbo. Estão neste grupo a dosagem de chumbo no sangue – Pb(s) e a dosagem de sangue na urina – Pb(U). O limite superior de normalidade legal é de 40µg/dl e o Índice Biológico Máximo Permitido (IBPM) é de 60µg/dl para o chumbo no sangue que é o parâmetro mais utilizado no Brasil.
2)Indicadores de Efeito Biológico: Estes testes revelam alterações orgânicas resultantes da ação direta ou indireta do chumbo na via metabólica da síntese do heme. Estes testes abrangem:
a) Dosagem da zinco-protoporfirina/ZPP – começa a aumentar com plumbemia em torno de 17 µg % . Tem boa correlação com a plumbemia e ALA(U), e constitui uma alteração metabólica persistente, permanecendo elevada mesmo depois que os demais parâmetros bioquímicos se normalizaram. Este fato é de grande importância para os estudos retrospectivos da exposição. A ZPP está aumentada em casos de anemia ferropriva e mesmo em dietas pobre em Fe. O valor de referência é de 40µg/dl e o Índice Biológico Máximo Permitido (IBMP) é de 100µg/dl.
b) Determinação do ácido delta aminolevulínico na urina (ALA-u) – Sua concentração urinária começa a se relacionar com a plumbemia a partir de 40µg de Pb/dl no sangue. Com o afastamento da exposição, os níveis de ALA-u diminuem e voltam aos valores normais de forma relativamente rápida. Este indicador pode estar aumentado também nas anemias de origem hepática e porfirias.  Seu valor de referência é até 4,5 mg/g de creatinina  e o  seu IBMP = 10mg/g de creatinina.

Intoxicação por chumbo matou 400 crianças menores de 

5 anos na Nigéria

 

      A Organização das Nações Unidas (ONU) informou que mais de 400 crianças menores de cinco anos morreram desde março pelo envenenamento por chumbo no norte da Nigéria.
      A ONU estima que 18 mil pessoas possam ter sido afetadas pelo produto químico na região. A intoxicação foi causada pela mineração ilegal de ouro no Estado de Zamfara.
    Segundo Elizabeth Byrs, porta-voz do Departamento de Coordenação dos Assuntos Humanitários do órgão (Ocha), o número de mortes tem como base os relatórios da agência humanitária Médicos Sem Fronteiras (MSF). Segundo a ONG, outras 500 foram atendidas nos quatro consultórios da MSF.
      Grande parte da população não informa sobre os novos casos de contaminação porque "tem medo de não poder continuar com a atividade", que foi proibida na semana passada pelo governo nigeriano após a informação sobre as mortes. 
      O envenenamento foi descoberto no início do ano durante o programa de imunização anual, quando os médicos perceberam que a maioria das crianças da região estava morrendo. Algumas vilas não tinham crianças com menos de cinco anos.
      Os moradores disseram que as mortes foram causadas pela malária, mas os exames de sangue feitos pelo MSF apontaram a contaminação por produtos químicos. O minério garimpado nas redondezas é levado aos vilarejos para processamento adicional, trabalho que com frequência é feito por mulheres e crianças pequenas. Os produtos químicos contaminaram o solo, a água e os que inalaram as partículas de poeira. Uma missão de avaliação da ONU descobriu que o abastecimento de água em quatro das cinco aldeias visitadas foi contaminado por níveis elevados de chumbo. As concentrações de mercúrio no ar também foram elevadas nas cinco aldeias, cem vezes superior ao índice estabelecido pela Organização Mundial de Saúde (OMS). 
Referências
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. Atenção à saúde dos trabalhadores expostos ao chumbo metálico / Ministério da Saúde, Secretaria de Atenção à Saúde, Departamento de Ações Programáticas Estratégicas. – Brasília : Editora do Ministério da Saúde, 2006. Disponível em: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/protocolo_atencao_saude trab_exp_chumbo_met.pdf. Acesso em: 27 de outubro de 2011.
Disponível em:



quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Exposição a Inseticidas Organofosforados e Carbamatos


Praguicidas
Os praguicidas ,segundo a Organização para agricultura e alimentação das Nações Unidas (FAO) são produtos químicos ou qualquer substancia ou misturas de substâncias destinadas à prevenção, a destruição e ao controle e qualquer praga.
Organoclorados e Carbamatos

Os compostos organofosforados e carbamatos são largamente utilizados no controle e no combate a pragas, principalmente como inseticidas (agrícola, doméstico e veterinário) e como acaricidas. Atualmente existem no mercado mais de 200 inseticidas organofosforados e 25 carbamatos em milhares. Esses praguicidas tem elevada toxicidade para os seres humanos e o meio ambiente, e no Brasil ocupam a terceira posição dentre os agentes causais de intoxicação aguda, representando 73%.


 
Classificação e propriedades físicas químicas
Os inseticidas organofosforados são ésteres amido ou tiol derivados dos ácidos fosfórico, fosfônico, fosfonótioico e forotióico. São rapidamente hidrolisados tanto no meio ambiente, como nos meios biológicos, e altamente lipossolúveis, com alto coeficiente de partição óleo/agua.
O grupo dos carbanatos é formado por derivados do ácido N metil carbânico e dos ácidos tiocarbamatos e ditiocarbamatos. São utilizados como inseticidas e nematicidas (agrícola e doméstico).Os carbamatos tem baixa pressão de vapor e pouca solubilidade em agua, são moderadamente solúveis em benzeno e tolueno, e altamente solúveis em metanol e acetona.
Toxicodinâmica
Os organofosforados e os carbamatos exercem sua ação principalmente pela inibição enzimática, o que determina a sua toxicidade. Dentre as enzimas, as esterases, especificamente, a acetilcolinesterase, são o principal alvo de sua toxicidade. A inibição da acetilcolinesterase leva ao acumulo da acetilcolina nas terminações nervosas, porque essa enzima realiza a hidrolise da acetilcolina produzindo colina e acido acético.
A acetilcolina é o mediador químico necessário para a transmissão do impulso nervoso em todas as fibras pré ganglionares do sistema nervoso autônomo, em todas as fibras parassimpáticas pós ganglionares e em algumas fibras simpáticas pós ganglionares. Além disso, a acetilcolina é o transmissor neuro humoral do nervo motor do musculo estriado e algumas sinapses interneuronais do sistema nervoso central. A transmissão do impulso nervoso requer que acetilcolina seja liberada no espaço intersináptico ou entre a fibra nervosa e a célula efetora. Depois a acetilcolina se liga a um receptor colinérgico, gerando dessa forma um potencial pós-sináptico e a propagação do impulso nervoso. Em seguida, a acetilcolina é liberada e hidrolisada pela acetilcolinesterase.

 
Ocorrência    
  
A determinação da atividade de colinesterase sanguínea apresenta importância do ponto de vista toxicológico na avaliação da exposição de inseticidas orgonofosforados e nitrogenados (carbamatos).
O s inseticidas organofosforados apresentam duas características importantes: são mais tóxicos para os vertebrados que os demais inseticidas e são quimicamente instáveis, portanto se degradam no ambiente impedindo bioacumulação. Os carbamatos  possuem uma toxicidade mais baixa quando comparados como os inseticidas organofosforados.
A exposição a esses inseticidas pode ocorre principalmente no contexto ocupacional, em trabalhadores que aplicam inseticidas na lavoura sem equipamentos de proteção adequados, ou pela ingestão acidental desses produtos e tentativas de suicídio.
Disposição no organismo
Os praguicidas organofosforados e carbamatos são absorvidos pela pele, pelo trato respiratório, e pelo trato gastrintestinal, e muitas vezes sua absorção e favorecida pelos solventes presentes na formulação.
As principais vias de exposição são a respiratória e a cutânea e absorção oral pode ocorrer por ingestão voluntaria ou por alimentos contaminados. Tanto os organofosforados como os carbamatos sofrem extensa biotransformação.
Finalidade da Análise
Como já citado anteriormente, os inseticidas anticolinesterásicos apresentam como mecanismo de ação tóxica a inibição da aceticolinesterase neuronal, impedindo assim a degradação do neurotransmissor acetilcolina, de forma que os sinais e sintomas da intoxicação de por esses compostos se devem ao acumulo de acetilcolina nas terminações nervosas. Como este tipo de enzima também esta presente no sangue, e é igualmente inibida ,a determinação da  atividade das colinesterases no sangue e de grande importância para o grau de exposição aos inseticidas organofosforados e carbamatos.
Na determinação da atividade da enzimática no sangue, pode ser feita a análise da enzima presente no eritrócito, que é a própria acetilcolinesterase  ou pode ser feita a determinação da enzima plasmática.
Métodos de análise
  • Método Potenciométrico
  • Método Colorimétrico
  • Métodos manométricos
  • Métodos titulométricos
  • Métodos espectrofotométricos
  • Métodos radiométricos
  • Métodos condutimétricos
 
Resumo do artigo: Exposição múltipla a agrotóxicos e efeitos à saúde: estudo transversal em amostra de 102 trabalhadores rurais, Nova Friburgo, RJ.

A extensiva utilização de pesticidas representa um grave problema de saúde pública nos países em desenvolvimento, especialmente aqueles com economias baseadas no agronegócio, caso do Brasil.
No Brasil, a utilização em larga escala deu-se a partir da década de 70, quando os pesticidas foram incluídos, compulsoriamente, junto com adubos e fertilizantes químicos, nos financiamentos agrícolas. Atualmente, o termo "agrotóxico" é o mais recomendado para designar os pesticidas, pois atesta a toxicidade destas substâncias químicas, especialmente quando manipuladas sem adequados equipamentos de proteção.
Algumas classes de pesticidas têm sofrido restrições em relação a seus usos e comercialização tanto nacional quanto internacionalmente. A Convenção de Estocolmo, por exemplo, assinada por cerca de 120 países, estabeleceu o banimento de doze substâncias cloradas, a maioria utilizada como pesticidas. No Brasil, com a entrada em vigor da Lei 7802/89 – Lei dos Agrotóxicos – os produtos contendo substâncias carcinogênicas, teratogênicas ou mutagênicas passaram a ter seus registros proibidos.
Esta situação não é única no Brasil, onde centenas de milhares de trabalhadores estão envolvidos em atividades agrícolas. Entretanto, os riscos e a magnitude dos danos causados pela exposição aguda ou cumulativa a estes pesticidas neste grupo de trabalhadores ainda não são bem conhecidos. Evidências científicas mostram que a exposição aos pesticidas pode levar a danos à saúde, muitas vezes irreversíveis, como o caso da neuropatia tardia por sobreexposição a organofosforados. As conseqüências neurotóxicas da exposição aguda por altas concentrações de pesticidas também estão bem estabelecidas, seja os efeitos muscarínicos, nicotínicos e no sistema nervoso central e periférico. A exposição também está associada a uma larga faixa de sintomas, bem como déficits significativos da performance neurocomportamental e anormalidades na função do sistema nervoso.
Em geral, o tempo de início das atividades na agricultura é bem precoce na maioria das comunidades rurais brasileiras; nesta comunidade, o ingresso era em torno dos 13 anos, porém em alguns casos, mais precoce, entre 7-8 anos, período em que a criança deveria estar na escola. 
Processo de trabalho
Neste estudo, os trabalhadores atuavam no plantio, controle das pragas e na colheita, participando em todas as fases do processo, sem interrupção sazonal. As atividades de mistura, aplicação e transporte dos pesticidas praticamente a todos envolviam, incluindo mulheres e crianças, que durante as fumigações seguravam a mangueira para o aplicador, ficando expostas na mesma intensidade e quase sempre sem qualquer tipo de proteção. Em relação aos agrotóxicos utilizados, foram citadas 58 diferentes formulações, incluindo todas as classes de agrotóxicos (inseticidas, fungicidas, herbicidas, inorgânicos e antibióticos). 

 
Em geral, os agricultores também não se afastavam da exposição, mesmo durante os períodos de provável sobreexposição, p. ex., a piretróides e a metamidofós, na qual ocorriam "os sintomas alérgicos", como se referiam ao intenso prurido; rubor facial e irritação das mucosas nasal, faríngea e dos olhos. Durante a gestação, a maioria das mulheres informou que não se afastava da exposição e que, em menor número, referiam que evitavam nos primeiros meses da gravidez, mas que participavam das mesmas tarefas ao lado dos maridos durante as aplicações e fumigações. 
Os agricultores não faziam qualquer tipo de controle da exposição. A maioria sequer havia feito o exame de colinesterase. 
Quanto à higiene dos indivíduos que entraram em contato com os agrotóxicos, no estudo, foi observado um intervalo de tempo muito grande entre a aplicação do produto e o banho, além disso, a prática da lavagem das mãos entres os produtores foi muito pequena. Reforça-se aí a idéia de que tanto as práticas de higiene quanto as medidas de segurança não eram adequadas. 
Além do contato do agrotóxico com a pele por um tempo o longo, os trabalhadores referiram que não usavam regularmente ou mesmo não utilizavam EPI. O uso destes equipamentos é um imperativo legal quando se trabalha com substâncias químicas; porém, quase a totalidade disse que os EPI nunca eram utilizados. 


 
Exame do Indicador Biológico de Exposição
Foram analisados os níveis de colinesterase plasmática – butirilcolinesterase (ChP) e da acetilcolinesterase eritrocitária (AChE).
As colinesterases são marcadores biológicos da exposição aguda ou sub-crônica a pesticidas organofosforados e carbamatos. Níveis reduzidos de sua atividade refletem alterações geradas por doenças orgânicas ou por ação de agentes agressores externos – xenobióticos – dentre os últimos, os OF têm um papel reconhecidamente importante.
Avaliação clínica
Os estudos sobre prevalência de sintomas de trabalhadores expostos a agrotóxicos geralmente são apoiados em variações de questionários ocupacionais e avaliam uma ampla faixa de sintomas, incluindo, entre outros, a cefaléia, vertigem, fadiga, insônia, náusea, vômitos, ruídos crepitantes respiratórios e dispnéia; assim como sintomatologia sugestiva de distúrbios cognitivos (dificuldade de concentração, esquecimento, confusão mental etc.); motores (fraqueza, tremores, cãibras, miofasciculação), e disfunção neurossensorial (formigamento, parestesia, visão turva e outros distúrbios visuais).
Muitos destes sintomas estão associados a quadros subagudos ou de efeitos crônicos com a exposição a agrotóxicos, além de poderem estar relacionados a jornadas laborais prolongadas e exaustivas, consumo de álcool, anemia, enxaqueca, distúrbios de humor (estados depressivos e ansiosos) e outros fatores que precisam ser considerados na elucidação diagnóstica.
Esta pesquisa vem a confirmar outras investigações epidemiológicas no campo, que mostram uma realidade cruel, onde jovens se iniciam no trabalho agrícola em idade escolar, com exposição, mesmo que indireta, aos pesticidas durante a aplicação, ao segurarem a mangueira ou transportarem os produtos.
Do ponto de vista da organização do processo de trabalho, os dados demonstraram percentual elevado de desconhecimento dos riscos da exposição, bem como a não utilização de equipamentos de proteção individual durante a aplicação pela maioria dos trabalhadores.
Finalmente, é importante destacar que os quadros de intoxicação, na maioria das vezes, não são notificados. A sociedade com um todo precisa mobilizar-se para enfrentar esta grave situação e buscar saídas para reduzir ou eliminar a contaminação dos trabalhadores no campo. Além disso, o consumo de frutas e hortaliças contaminadas com resíduos de pesticidas coloca em risco a saúde dos consumidores. A produção de alimentos saudáveis requer a adoção de políticas que invistam no 'agronegócio limpo', com proteção do meio ambiente, desenvolvimento sustentável e incentivo à agricultura orgânica. A conscientização dos agricultores e consumidores quanto aos elevados riscos para a saúde humana e ambiental da utilização de agrotóxicos é fundamental para mudar este quadro.


Saiba mais em:
  • MOREAU, Regina Lúcia de Moraes; SIQUEIRA, Maria Elisa Pereira Bastos de Toxicologia Analítica . Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. 318 p. (Ciências farmacêuticas)
  • SCHVARTSMAN, Samuel. Intoxicações agudas. 4.ed. São Paulo: Savier, p. 355. 1991
  • ARAÚJO, A. J. et al. Exposição múltipla a agrotóxicos e efeitos à saúde: estudo transversal em amostra de 102 trabalhadores rurais, Nova Friburgo, RJ. Ciênc. saúde coletiva. v.12, n.1,  jan.-mar. 2007.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Interações medicamentosas


“O bom atendimento ao doente está baseado tanto num diagnóstico correto como numa terapêutica adequada”.     

O que são Interações Medicamentosas?
       
          Interações medicamentosas são alterações nos efeitos de um medicamento em razão da ingestão simultânea de outro medicamento (interações do tipo medicamento-medicamento) ou do consumo de determinado alimento (interações do tipo alimento-medicamento). Também existe a interação medicamento-doença.
          Embora em alguns casos os efeitos de medicamentos combinados sejam benéficos, mais freqüentemente as interações medicamentosas são indesejáveis e prejudiciais.
          A incidência de interações medicamentosas oscila entre 3-5% para pacientes em uso de várias medicações, aumentando para 20%, ou ainda mais em doentes usando de 10 a 20 drogas.


          
          Tais interações podem intensificar ou diminuir as ações de um medicamento ou agravar seus efeitos colaterais. Quase todas as interações do tipo medicamentomedicamento envolvem medicamentos de receita obrigatória, mas algumas envolvem medicamentos de venda livre (sem necessidade de receita) – mais comumente aspirina, antiácidos e descongestionantes.
          Os mais idosos, ao lado dos recémnascidos, são os mais afetados pelos efeitos contrários produzidos pelas interações medicamentosas. De um lado está o organismo já enfraquecido, do outro, um organismo ainda não totalmente preparado e amadurecido.
Riscos
          O risco de ocorrência de uma interação medicamentosa depende do número de medicamentos usados, da tendência que determinadas drogas têm para a interação e da quantidade tomada do medicamento. Muitas interações são descobertas durante testes de medicamentos.
          Os efeitos de diversas drogas, quando administradas concomitantemente, podem não ser os mesmos previsíveis graças ao conhecimento possuído de seus efeitos quando empregadas isoladamente.
           Quando duas drogas interagem, a resposta farmacológica final pode resultar:
  • No aumento dos efeitos de uma droga;
  • No aparecimento de efeitos totalmente novos, diferentes dos observados com quaisquer das drogas usadas isoladamente;
  • Da inibição dos efeitos de uma droga pela outra;
  • Ou pode não ocorrer nenhuma modificação no efeito final.
          O risco de uma interação medicamentosa aumenta quando não há coordenação entre a receita dos medicamentos, o fornecimento e a orientação de seu uso. As pessoas que estão aos cuidados de vários médicos estão em maior risco, porque um dos profissionais pode não ter conhecimento de todos os medicamentos que estão sendo tomados.
          Os mecanismos pelos quais se dão as interações medicamentosas, de um modo geral estão divididos em três grupos: fatores ligados à própria droga, fatores ligados ao paciente e fatores ligados à administração do medicamento. 
Interações do Tipo Medicamento-Doença
          A maioria dos medicamentos circula por todo o corpo; embora exerçam a maior parte de seus efeitos em um órgão ou sistema específico, mas também afetam outros órgãos e sistemas. Considerando que os medicamentos podem afetar outros problemas clínicos além do que está sendo tratado, o médico deve tomar conhecimento de todos os distúrbios que porventura existam, antes de prescrever um novo medicamento.
          Diabetes, pressão arterial alta ou baixa, glaucoma, dilatação da próstata, controle deficiente da bexiga e insônia são distúrbios particularmente importantes.
Substâncias do Álcool e do Cigarro Interagem com Medicamentos?

           As drogas sociais, álcool e tabaco, possuem a mesma influência que os alimentos.
          Como agente sedativo e hipnótico, o álcool (etanol) associado a outras drogas pode representar efeitos clínicos importantes. Os antidepressivos e as drogas sedativas são os exemplos mais comuns de interação com o álcool. O etanol também potencializa os efeitos farmacológicos de muitas drogas não-sedativas, como os vasodilatadores e os hipoglicêmicos orais (utilizados por diabéticos).
          Em relação ao cigarro, a quantidade de substâncias liberadas, como o monóxido de carbono, cianeto, nicotina, significa um grande potencial ao desenvolvimento de interações medicamentosas. Estudos a respeito da interação fumo-medicamento mostram que o cigarro pode reduzir a absorção de insulina, aumentar as chances de acidente vascular encefálico e ainda provocar a cardiopatia isquêmica em mulheres que consomem anticoncepcionais orais.
Como Reduzir o Risco de Interações Medicamentosas?
  • Consulte seu médico, antes de tomar qualquer medicamento novo;
  • Tenha à mão uma lista de todos os medicamentos que está tomando e periodicamente discuta essa lista com seu médico ou farmacêutico;
  • Mantenha uma lista de todas as enfermidades clínicas que já o acometeram e periodicamente discuta essa lista com seu médico;
  • Selecione um farmacêutico que proporcione serviços abrangentes e faça com que todas as receitas sejam aviadas por ele; 
  • Procure compreender a finalidade, a ação e os possíveis efeitos colaterais de todos os medicamentos prescritos;
  • Aprenda o modo como os medicamentos devem ser tomados, em que hora do dia e se podem ser tomados ao mesmo tempo que outros medicamentos;
  • Informe-se se o medicamento utilizado pode apresentar interação com algum tipo de alimento;
  • Discuta o uso dos medicamentos de venda livre (sem necessidade de receita) com o farmacêutico responsável e discuta seus problemas clínicos e o uso de medicamentos de receita obrigatória que está tomando;
  • Siga as instruções recomendadas para tomar os medicamentos; 
  • Informe ao médico ou ao farmacêutico qualquer sintoma que possa estar relacionado ao uso de um medicamento.
   
 

BIBLIOGRAFIA:
- FONSECA, A. L. Interações Medicamentosas.3ed. Rio de Janeiro, EPUB, 2001.
- http://boasaude.uol.com.br/lib/ShowDoc.cfm
- http://www.msd-brazil.com/content/patients

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

Monitorização terapêutica

O objetivo da monitorização terapêutica é otimizar o emprego de fármacos, evitando ou detectando precocemente a ocorrência de níveis tóxicos ou subterapêuticos. A monitorização permite ainda constatar a aderência do paciente ao tratamento e identificar interações medicamentosas imprevisíveis.

É particularmente útil no acompanhamento de pacientes que façam uso de drogas antiepilépticas, e também auxilia no seguimento de indivíduos que utilizam antidepressivos tricíclicos.

A utilização abusiva de drogas lícitas ou ilícitas constitui-se em um grave problema médico-social, e o apoio laboratorial para o rastreamento do consumo e acompanhamento do tratamento de usuários dessas substâncias é cada vez mais relevante. Para a determinação de intoxicação aguda, o sangue é o material biológico mais indicado, mas para a detecção de exposição crônica, a urina e, principalmente o cabelo, podem trazer informações úteis. Diferentes substâncias têm diferentes comportamentos quanto ao metabolismo. Após o consumo de cocaína, essa droga e seus metabólitos, podem ser detectadas por poucas horas no sangue, por cerca de três dias na urina e por meses no cabelo. Após o consumo de tetrahidrocannabinol (THC) ele pode ser encontrado por semanas na urina ou no cabelo. O álcool etílico, por sua vez, é rapidamente metabolizado e somente a dosagem no sangue pode trazer informações a respeito de intoxicação aguda, não havendo marcadores bem estabelecidos de seu consumo crônico.


ARTIGO: MONITORAÇÃO TERAPÊUTICA DA AZATIOPRINA


O efeito tóxico mais comum da azatioprina (AZA) é a depressão da medula óssea. Esse é um efeito dose-dependente que pode ser monitorado, resultando na redução da dose ou suspensão do medicamento. A contagem dos glóbulos vermelhos, brancos e plaquetas são recomendáveis a fim de monitorar esse efeito tóxico. A leucopenia é a manifestação hematológica mais freqüente, mas concentrações de 6-tioguanina (6-TGN) > 450 pmol/8 x 108 eritrócitos foram associadas à mielotoxicidade. Outro órgão alvo de efeitos tóxicos é o fígado. O mecanismo tóxico da AZA nos hepatócitos está associado ao primeiro passo da biotransformação, na qual há depleção dos níveis do detoxificador glutationa e aumento dos níveis de 6-MMP. Pacientes com níveis de 6-metilmercaptopurina (6-MMP) > 5.700 pmol/8 x 108 eritrócitos apresentaram sinais de hepatotoxicidade. A explicação pode estar na fase conjugação da AZA. Variações nos níveis de glutationa reduzida (GSH) afetam diretamente a síntese de proteínas e de DNA. A GSH encontrada nos hepatócitos é consumida, predispondo ao estresse oxidativo, com peroxidação lipídica e/ou lesão direta nas proteínas e nos ácidos nucléicos.


Monitoração terapêutica:


Com o desenvolvimento de técnicas laboratoriais mais sensíveis e específicas, tornou-se possível a dosagem dos medicamentos imunossupressores nos fluidos biológicos. Algumas vezes é possível determinar a concentração de um fármaco em seu sítio de ação, como o metabólito 6-TGN, reduzindo-se assim as influências das variações farmacocinéticas.

A monitoração terapêutica de medicamentos não é indicada para todos os fármacos. Segundo Johnston e Holt, para que seja necessária a monitoração terapêutica de um fármaco, esse deve preencher os seguintes critérios:

·         apresentar correlação entre concentração do fármaco e efeito terapêutico;

·         estreita faixa terapêutica, isto é, pequenas variações nas doses podem causar reações adversas graves;

·         grandes diferenças metabólicas entre indivíduos;

·         sucesso terapêutico difícil de ser distinguido das reações adversas.

A importância da monitoração dos níveis de 6-TGNs intra-eritrocitários, com objetivo de reduzir a toxicidade dose-dependente, foi avaliada por diversos pesquisadores, demonstrando que a quantificação dos metabólitos da AZA exerce um papel importante no acompanhamento clínico de pacientes submetidos à terapia com AZA.

Banerjee e Bishop analisaram 101 pacientes pediátricos com doenças inflamatórias intestinais (DIIs), recebendo doses de AZA, estáveis há, pelo menos, quatro meses. O grupo teste (n = 64) era formado por pacientes que tinham os metabólitos da AZA monitorados, enquanto no grupo controle (n = 37) os pacientes recebiam AZA sem a respectiva monitoração terapêutica, pois já faziam uso do medicamento anteriormente à implantação do método para dosagem da AZA no hospital. A freqüência de episódios de exacerbação da doença por paciente/ano foi 55% menor no grupo monitorado do que no grupo controle. O grupo teste também recebeu uma dose diária de prednisona 73% menor, em comparação com o grupo controle, no qual não se realizou a monitoração. Casos de mielotoxicidade foram encontrados em três dos 64 pacientes do grupo teste versus freqüência zero no grupo controle (n = 37). No entanto, todos os casos de leucopenia foram autolimitantes, mas não foi necessário reduzir a dose em nenhum dos pacientes. Observou-se elevação de enzimas hepáticas em seis dos 64 (9,4%) pacientes do grupo teste, em oposição a seis de 37 (16,2%) do grupo controle.

A monitoração terapêutica proporciona uma série de benefícios para os pacientes que necessitam de terapias imunossupressoras. A resposta terapêutica - dependente das características genéticas do paciente - resulta em maior adesão ao tratamento devido à diminuição dos efeitos tóxicos.

Estudos retrospectivos indicam forte associação entre os níveis intra-eritrocitários de 6-TGN e o sucesso terapêutico, bem como altos níveis da 6-MMP para hepatotoxicidade e não-responsividade ao tratamento. Novos estudos poderão determinar o real benefício clínico da monitoração terapêutica precoce e periódica dos metabólitos da AZA.


Bibliografia


NETO, P. M.; et al. Monitoração terapêutica da azatioprina: uma revisão. J. Bras. Patol. Med. Lab. vol.44 no.3 Rio de Janeiro June 2008. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/jbpml/v44n3/02.pdf. Acesso em: 29 de setembro de 2011.